segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Flores de Outubro

Saí de casa e vi flores caindo.
Era uma árvore alta, com flores grandes e bonitas, rosas arroxeadas (ou seriam roxas rosadas?). Caíam aos montes.
Caiu uma em cima de um carro.
Outra à minha direita.
Uma na minha frente.

E me senti inquieta. Me senti inquieta porque elas não estavam caindo do jeito que as flores devem cair. Era pesado demais, rápido demais, triste demais. Elas não caíam.
Elas despencavam como suicidas.

E foi assim que eu passei o dia pensando em flores que despencam como suicidas, e em suicidas que caem como flores, e em flores que despencam como suicidas e são postas nos túmulos dos suicidas que caíram como flores.

Cheguei em casa. E chovia.