domingo, 22 de maio de 2011

Baladas

Ela não conseguia se lembrar qual havia sido a última sexta-feira que ela não passara num lugar cheio de gente e de luzes piscantes.
Olhou para os lados e se descobriu cercada de pessoas que se mexiam das formas mais bizarras possíveis. E de casais (heteros ou não) se beijando alucinadamente.

Deu uma risadinha irônica e imaginou quantos daqueles casais ainda se falariam no dia seguinte. Pelas suas contas, o número tendia a zero.
Mas aquela não era a hora e nem o lugar pra se fazer contas. Uma música conhecida começou a tocar e ela se lembrou o motivo pelo qual estava lá.

Fechou os olhos e começou a se mover, guiada pelas palpitações que o som fazia ao deslocar o ar, cujas vibrações ela podia sentir na sua garganta.
Dispensou (educadamente?) mãos que tentaram segurar seus pulsos, vozes ansiosas que lhe perguntavam seu nome e os olhares sugestivos. Será que queriam que ela fizesse parte do número de casais que não se falaria no dia seguinte (e que tendia ao infinito)??

- Por enquanto, só quero dançar. -respondia.
E assim o fez.

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