<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291</id><updated>2012-01-20T07:12:03.603-08:00</updated><title type='text'>VITRINA</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>31</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-2208899577736139782</id><published>2012-01-17T18:50:00.000-08:00</published><updated>2012-01-17T20:17:20.947-08:00</updated><title type='text'>A morte da beleza</title><content type='html'>Eram dois. Grandes, amarelos, reluzentes. Olhavam para o sol, felizes, como se tentassem refletir a luz. E eu perdi a noção de quanto tempo fiquei naquela esquina, admirando. &lt;div&gt;Prometi a mim mesma que no dia seguinte tiraria uma foto dos girassóis. Meu celular já estava cheio de fotos de flores. Rosas, jasmins. Com certeza havia lugar para dois girassóis enormes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas, no dia seguinte, quando eu já estava com o celular na mão à espera de chegar no jardim da esquina, notei que algo faltava. Não vi o amarelo gritante da presença dos dois. No lugar dos girassóis, havia dois galhos da planta, destroçados. Haviam sido violentamente arrancados. Os grossos caules ainda gotejavam seiva. Fui invadida por um misto de tristeza e raiva. Não apenas porque tinham levado os girassóis embora. Não apenas porque tinham me privado da beleza. Mas porque tinham privado o mundo todo dela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acariciei uma folha da planta, que agora era uma planta comum, sem suas flores. E desejei que ela sobrevivesse, que vivesse para dar outros girassóis. E assim se fez: na manhã seguinte, lá estavam dois novos brotos da flor. Pequenos, miúdos. Nem de longe tão bonitos quanto os primeiros, mas ainda assim belos. Abriam lentamente, mostrando a volta do amarelo alegre. Sorri, torcendo para que eles estivessem totalmente abertos até o fim do dia. Mas os girassóis foram embora junto com seu astro adorado: quando a noite chegou, eles também haviam sido arrancados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E todos os dias eram assim: eu desejava que a planta vivesse para dar mais girassóis, novos brotos nasciam (2, 4, 5 de uma vez) e todos eram arrancados. Então, passei a ignorá-la. Deixei de desejar que a planta vivesse. Egoísmo de minha parte? Sim, totalmente. Porque eu estava cansada de ficar triste por causa disso. Quando eu via um pequeno girassol, apenas suspirava e virava a cabeça em outra direção. Pois sabia que ele não estaria lá quando eu voltasse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até que, finalmente, veio a morte. A planta de girassóis não teve mais nenhum broto. Apenas um monte de folhas cinzas, ressecadas. E metade de seu caule estava enegrecido, retorcido, culminando em uma folha preta e deformada na ponta, como um braço putrefato. Um braço podre, pedindo uma compreensão que jamais viria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Começo a pensar que toda a beleza do mundo é como a desses girassóis. Ela pede para viver, para encher os olhos de alegria, para ser vista, para existir no mundo. Mas os seres humanos querem a beleza para si. Não importa se isso significa acabar com ela: eles querem para si. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E então, fico na dúvida: será que somos tão carentes de coisas belas e puras que passamos a amá-las excessivamente, a ponto de querer a posse, mesmo sabendo que isso matará a beleza? Será que nossa sede por algo belo vira uma paixão tão cega que não raciocinamos o que nosso amor fará ao objeto ou ser vivo amado?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ou será que, na verdade, odiamos a beleza? Que queremos destruí-la, destroçá-la, mas dizemos amá-la e querê-la, só para não aceitar a triste verdade: que a odiamos porque nos sentimos tão feios, tão errados e tão sozinhos no mundo que a imagem de algo bonito, certo e natural simplesmente nos incomoda? Que acabamos por não suportar  o belo, pois ele não combina conosco, e só serve para nos lembrar da nossa própria decadência?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não cheguei a uma conclusão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-2208899577736139782?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/2208899577736139782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=2208899577736139782' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/2208899577736139782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/2208899577736139782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2012/01/morte-da-beleza.html' title='A morte da beleza'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-6259077833286968611</id><published>2011-11-25T07:35:00.000-08:00</published><updated>2011-11-25T08:34:15.480-08:00</updated><title type='text'>Cheiro de pipoca doce...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-AH2srCdrLx8/Ts_BAjFe3xI/AAAAAAAAAHk/24bHBhSX014/s1600/pipoca.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 228px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678969870299881234" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-AH2srCdrLx8/Ts_BAjFe3xI/AAAAAAAAAHk/24bHBhSX014/s320/pipoca.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;... foi o que a fez, de repente, parar. Ela estava na calçada: acabara de sair do trabalho, caminhava a passos curtos e rápidos, para ir embora. Então, parou. Aquilo a invadiu. Aquele cheiro. Era quente, doce e vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela estava sentada aos pés da árvore. A mesma árvore para onde sempre fugia quando não estava a fim de fazer aula de educação física. Tinha 7 anos? Talvez 8. Estava lendo alguma coisa, quando o cheiro a fez levantar a cabeça, erguendo o pequeno nariz para o ar. Vinha do circo da frente da escola. Ela podia ver o circo, de onde estava. Era um terreno grande, contornado por um rio. Ela sempre lembrava de sua mãe falando que muita gente morrera naquele rio. Agora, ele não parecia matar mais ninguém: fora escondido pelo enorme picadeiro do circo. E, de algum modo, o cheiro da pipoca tinha atravessado o terreno, a rua, subido a rampa da escola e batido em cheio no rosto da menina que lia embaixo da árvore.&lt;br /&gt;De repente, uma Amanda baixinha veio correndo em sua direção, os cabelos escuros presos num rabo de cavalo e um sorriso na bochecha gorducha. Tinha algo nas mãos.&lt;br /&gt;- Você viu? - disse para a menina da árvore - Tão dando pra gente.&lt;br /&gt;Era um papel pequeno, retangular, cor-de-rosa-papel-higiênico. Um ingresso gratuito para o circo.&lt;br /&gt;- A Eliana vai no show! - disse Amanda.&lt;br /&gt;A menina pegou o papel da amiga. Ele tinha um carimbo mal feito do Cebolinha, apontando para o nome do circo. Qual era o nome, mesmo? Realmente, estava escrito que uma Eliana estaria presente.&lt;br /&gt;-Que Eliana?&lt;br /&gt;- A apresentadora!&lt;br /&gt;"Eliana...", pensou ela, "Quem liga pra Eliana??... Será que eles têm elefantes?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o cheiro a trouxe de volta. Pra calçada. Em frente ao prédio do trabalho. Tudo tão diferente... Tinha quase o triplo da idade. Seu corpo era outro. Sua voz. Onde estava a árvore? Ainda lá? Será que o rio voltara a matar? Onde estaria o circo? Longe, muito longe. E Amanda? Provavelmente em sua casa, cuidando do filho... Filho! ... E a Eliana... Quem liga pra Eliana? O que será dos elefantes??&lt;br /&gt;A única coisa que continuava fixa, imutável, imponente, era aquele cheiro de pipoca doce.&lt;br /&gt;Atravessava a rua e batia em cheio no rosto da moça. Era doce. Quente, livre, vermelho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-6259077833286968611?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/6259077833286968611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=6259077833286968611' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/6259077833286968611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/6259077833286968611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/11/cheiro-de-pipoca-doce.html' title='Cheiro de pipoca doce...'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-AH2srCdrLx8/Ts_BAjFe3xI/AAAAAAAAAHk/24bHBhSX014/s72-c/pipoca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-5586693511938574846</id><published>2011-11-09T15:39:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T17:54:52.413-08:00</updated><title type='text'>Passividade declarada</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; "&gt;Quando saí da minha aula de hoje de manhã, fui embora para casa. O que mais eu faria ali? Estava tendo greve de estudantes pela manifestação para a retirada da PM da USP.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; "&gt;Vi uma rodinha de estudantes sentados de cabeça baixa, literalmente levando bronca de uma senhorinha, que estava de pé, de um metro e meio de altura, dizendo: "Gente, vocês não podem querer que a PM saia". E a cara que eles faziam era de um bando de crianças mimadas, sendo repreendidas por quererem comer doce antes da janta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; "&gt;Eles falam tanto de Marx... Minha vontade é de parar e perguntar: "Sinceramente, você já leu Marx?". Porque se leu, leu errado. Lembro-me muito bem de Marx falando que a revolução deveria partir da classe operária. Onde está a classe operária? Pergunte ao torneiro mecânico o que ele quer. A resposta vai ser: virar patrão. Nossa classe operária não quer revolução; quer ascensão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; "&gt;E o que vocês querem? Vocês querem uma polícia que não pare para revistar um estudante só porque ele é negro, certo? Vocês querem um polícia que não trate mal um casal só porque os dois são do mesmo sexo, certo? Vocês querem uma polícia que se foque mais nos assaltos e estupros que acontecem toda semana no campus, ao invés de implicar com um bando de manés que dividem um baseado entre 20, certo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; "&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia; "&gt;Pois bem. É isso que se quer. E não que se tire completamente a PM do campus e deixe o terreno livre para crimes graves continuarem acontecendo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; "&gt;Sinto dizer, mas não é batendo na polícia que vão conseguir ensinar civilidade e respeito a ela. Não é chamando os caras de "macaco do governo" (apelido usado na ditadura) que vai fazer com que eles, de repente, percebam que o estudante merece ser bem tratado. Quando se xinga a polícia de algo que ela foi no passado, você a faz regredir, ao invés de evoluir. Quando paro pra ver a maneira como os grupos estudantis lutam, tenho a impressão de que alguns estão pouco ligando para conseguir melhorias. Parece que se luta apenas pelo fato de lutar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; "&gt;Eu já cheguei ao cúmulo de ouvir, certa vez, um estudante dizendo o seguinte: "Nossa, a época da ditadura deve ter sido legal! Iria gostar de manifestar contra eles". Achei nojento. Será que é possível que alguém deseje mesmo que uma época dessas volte só pra terem contra o que lutar? Sinto decepcioná-los, colegas, mas agora vivemos numa democracia. Sim, um Estado de Direito. Perfeito? Não! Com muitos problemas. E deveríamos lutar contra esses problemas, ao invés de inventar outros.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; "&gt;Que tal lutar por um ensino de qualidade? Ou por melhores situações nos transportes públicos? Por um reitor mais democrático que o Berlusconi? Ou até mesmo por uma polícia mais razoável, porque não? Mas mostre seus argumentos com manifestações que não te façam perder a razão. &lt;span&gt; &lt;/span&gt;Do jeito que andam fazendo, a única coisa que conseguem é dar "munição ao inimigo”. A imprensa direitista não cansa de taxá-los de vândalos, vagabundos e maconheiros. Ótima imagem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; "&gt;Agora vamos analisar: foi decretado "greve de estudantes". Vamos pensar um pouquinho no conceito de greve. Greve é uma paralisação de coerção, que obriga o patrão a repensar sobre as causas operárias, com medo de ter seu lucro prejudicado pelo impedimento da produção. Em uma fábrica, isso funcionaria até que bem.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Com alguns dias de greve, o patrão levaria prejuízo. Agora, voltemos ao caso: estamos falando de uma universidade pública. Não é uma fábrica. Nem ao menos é uma faculdade paga, que ficaria sem sua mensalidade. Não. É uma universidade pública. Aquela que você se matou de estudar para conseguir entrar, lembra? Me fala uma coisa, amigo: quem você acha que está prejudicando ao não ir à aula, além de si mesmo? Ou você acha que o "governo direitista" ou os PMs estão preocupados se você viu ou não sua aula de hoje sobre Schopenhauer?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia; "&gt;Acordem. Sou contra aos preconceitos e abusos de poder da PM. Mas também sou contra movimentos estudantis que usam situações simples para alavancar uma revolta malfeita. Muitos dos meus colegas vão me chamar de burguesa. De direitista. Porque é mais fácil taxar de uma coisa só todos aqueles que criticam suas atitudes, ao invés de enxergar as críticas e crescer com elas. Eu, que levei 3 horas pra chegar à universidade (porque não queria levar porrada dentro do trem. Sim, três horas. Sem exageros, pleonasmos nem licença poética), posso te garantir que a maioria dos militantes tem uma vida muito mais burguesa que a minha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia; "&gt;Realmente, não estou mexendo um dedo sequer para ajudar nessa "manifestação". E se amigos meus vierem dizer que sou "passiva", vou concordar com o maior orgulho. Passiva, sim! Pois prefiro não lutar a lutar por algo errado, do jeito errado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-5586693511938574846?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/5586693511938574846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=5586693511938574846' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/5586693511938574846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/5586693511938574846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/11/passividade-declarada.html' title='Passividade declarada'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-4980234200798588688</id><published>2011-09-29T19:51:00.001-07:00</published><updated>2011-10-03T21:57:03.013-07:00</updated><title type='text'>90 dias</title><content type='html'>90 dias que parecem 90 no calendário.&lt;div&gt;90 dias que parecem 9 pela força do desejo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;90 dias que parecem 900 pela força do sentimento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cerca de 90 dias antes da contagem dos 90 dias, uma moça olhava para o céu estrelado de madrugada. Era a única acordada, tomada por uma insônia que insistia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E era impossível olhar praquela lua sem ter vontade de ter alguém ao lado dela pra admirá-la. Será? Onde? E quem? Eram essas as perguntas mais frequentes. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Algumas lunações depois, a mesma moça se encontrou perdida no centro da cidade. De madrugada, novamente. Não estava perdida, sabia muito bem onde estava. Mas onde as pessoas haviam ido? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Tem tanta gente por aqui...E se eu encontrasse o amor da minha vida, agora?", pensou. E depois riu sozinha. Era óbvio que seria impossível achar um amor no meio daquela muvuca toda... Não conseguia encontrar nem seus amigos!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas a vida é irônica o tempo todo. É irônica quando quer te machucar, e irônica quando quer te fazer feliz. Porque a garota olhou para um moço vestido de guerreiro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E em 71 dias a partir daquele que o viu, experimentou um crescente de pensamentos muito curioso: alguém arrogante e prepotente. Ok, alguém que se destaca de outras pessoas. Humm, ele não é o que eu tinha pensando. Aparentemente, me atrai. Por quê? É a voz, o sorriso, o jeito de falar? Algum motivo tem de ter. Repita essa frase: "ele é só um amigo com quem eu gosto de falar". Repita até que acredite nela. "E eu sou só uma amiga com quem ele gosta de falar". Hahaha. Ok, se isso te convence... A mim, não convence nem um pouco. Convence, sim!! Se pra ele não é isso, é outra história. Pra você, ele é um amigo com quem você gosta de falar, e ponto!... Mas precisa gostar TANTO assim? E essa vontade de conversar ainda mais, apesar de terem passado praticamente o dia inteiro se falando? Nossa, a gente passou MESMO o dia inteiro se falando! E essa vontade de sentir o cheiro do pescoço dele, e de viajar para mundos imaginários toda vez que o vê com o tronco nu? É só um amigo, que eu admiro. Ok. Um amigo com quem eu quero falar 24 horas por dia, que eu admiro e por quem me atraio fisicamente. Um amigo, sim. Um amigo que, antes de dormir, eu imagino me beijando longamente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai, droga! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eis que a bruxa se apaixona pelo índio. E mal teve tempo de tentar resolver isso: a bagunça já estava feita. E por acaso ela queria que a bagunça se desfizesse? Não, não queria. E por que haveria de querer? O que está feito, está feito. E por 4 dias ela ficou apreensiva, sem saber notícias, mas com o queixo em pé de quem não desaprova sua própria "falha de caráter". Com a confiança de quem sabe dar de ombros e aceitar a bagunça que fez, independente do que viria depois.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De repente, com uma frase, a apreensão se desfez. Com um abraço, o adiamento se desfez. E com um beijo, o chão se desfez. E tudo que foi feito a partir daquele momento foi refazer os pensamentos impossíveis em ações reais e possíveis, magicamente possíveis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;90 dias depois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;90 dias sentindo a maturidade das minhas emoções.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;90 dias sabendo o gosto do seu beijo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;90 dias sabendo a sensação de estar nos seus braços.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;90 dias contando com seu amor, quando era justamente ele o que eu mais precisava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;90 dias que parecem 9 pela força do desejo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;90 dias que parecem 900 pela força do sentimento.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-4980234200798588688?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/4980234200798588688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=4980234200798588688' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/4980234200798588688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/4980234200798588688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/09/90-dias.html' title='90 dias'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-5232900163703077444</id><published>2011-09-05T07:59:00.000-07:00</published><updated>2011-09-12T18:34:00.765-07:00</updated><title type='text'>Como se preojulgar</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;As pessoas se importam. As vezes, elas se importam até demais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;Quando estamos solteiros: "E aí, não tá namorando?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;Quando namoramos: "E aí, não vai casar?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;Quando prestamos vestibular: "Não entrou na faculdade ainda?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;Quando entramos: "Mas quando você se forma?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;E por aí vai.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;Um amigo meu perguntou se eu ia fazer mestrado. Eu disse que não, que não me atraía nem um pouco a ideia de ser professora de jornalismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;E ele pareceu surpreso: "Nossa, pensei que você fosse ir a fundo."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;Minha resposta foi sincera: "M&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;eu objetivo é minha felicidade, e não ir a fundo só pra falar que fui a fundo&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;Ele pediu desculpas, e me elogiou pela decisão. Mas a conversa me fez pensar: tantas pessoas montam perfis de caminhos que acham que vamos seguir, na cabeça delas... E cobram o tempo inteiro que sigamos um molde pré-estabelecido.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "  &gt;E se eu resolver largar o jornalismo porque caiu a ficha de que meu sonho é vender geladinho no farol? Ou ser jogadora de futebol?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;E se eu decidir que quero virar freira e não casar nunca?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "  &gt;E se eu decidir virar eremita e fugir pras montanhas?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "  &gt;Vão continuar gostando de mim? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;Continuariam me apoiando, não importa que caminho eu tomasse?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;Estava pensando justamente nisso enquanto descia a rua pra comprar pão, quando um dos fiéis habitantes de Ermelino Matarazzo me parou: o senhor de bengalas, que eu nunca lembro o nome, pois me acostumei a chamá-lo mentalmente de "Senhor de Bengalas", apesar dele ser relativamente jovem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;- E aí, menina, quanto tempo! Tudo bem?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;Fazia mesmo muito tempo? Não o havia visto semana passada?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;- Olá, tá tudo bem, sim.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;- Trabalhando?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;-Eu...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;-Já se formou?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;- Na verdade ainda falta um seme...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;- Vai casar ou se formar primeiro?- interrompeu ele, antes que eu pudesse terminar a palavra "semestre".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;Eu fiquei dois segundos com a boca aberta, sem pronunciar som algum, e depois sorri e respondi de maneira simpática e divertida. No segundo seguinte, quando eu pude finalmente voltar a ficar sozinha com meus pensamentos, pude balbuciar as frases cheias de palavrões e impropérios que eu havia guardado na cabeça. Afinal, qual é o problema com as pessoas?? Será que elas acham mesmo que a vida é só isso: uma lista de coisas a serem cumpridas o mais rápido possível??&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;Na volta da padaria, encontrei de novo o mesmo sujeito. E de novo ele me parou, dessa vez não pra perguntar, mas pra falar sobre a velhinha da minha rua, que morreu há 2 meses. Eu não me lembrava dela. Só do marido dela (também morto) e principalmente do cachorro deles, pois eu latia pra ele quando era pequena. Você leu certo: eu latia pro cachorro deles, e não o contrário. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;O caso é que não conhecia a velhinha. Só queria levar o pão até minha casa e almoçar a feijoada que minha mão fez. Só isso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;Falei isso mesmo, da forma mais educada que eu pude, e a resposta foi:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;- Mas foi o excesso mesmo que a matou. Ela comia uma feijoadinha de vez em quando. E bebia vinho, mesmo não podendo. Eu levei o marido dela ao medico, uma semana antes dele falecer. Ele morreu por medo. Tinha um problema no pâncreas, e teve medo de operar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;Então percebi que, apesar de ser uma pessoa que adora "se importar" com a vida do bairro todo, aquele homem não deixava de estar se importando - de maneira positiva, sem aspas. Não era exatamente maldade, cobrança ou julgamento. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;Quando pude finalmente subir pra minha casa, com o pão, estava menos inclinada a me revoltar com as cobranças da humanidade. Afinal, com cobranças ou não, há pessoas que se preocupam com a gente. Tirando a "moldagem" que elas fazem inconscientemente, o fato de fazê-la mostra exatamente que se importam. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px; white-space: pre-wrap; "&gt;O que fazer? Simples: Agradeço o carinho e dispenso os moldes. Desejo que todos tenham uma preocupação sábia o bastante pra enxergar mais longe. E sigam seu próprio vento. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-5232900163703077444?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/5232900163703077444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=5232900163703077444' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/5232900163703077444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/5232900163703077444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/09/como-se-preojulgar.html' title='Como se preojulgar'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-1372551222706625130</id><published>2011-08-15T08:20:00.000-07:00</published><updated>2011-08-22T15:15:19.605-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tEHiz66re3E/TlLKUFMKiKI/AAAAAAAAAHQ/z9mCYQ4N5Uc/s1600/narciso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5643795729388046498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-tEHiz66re3E/TlLKUFMKiKI/AAAAAAAAAHQ/z9mCYQ4N5Uc/s320/narciso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;O domingo chegou. Ele chega todo ano, aquele domingo específico. Assim como outras tantas datas que me fazem lembrar. E eu tento levar isso da melhor forma. Eu tento até fazer piada, pois ser humorado quando o assunto é triste é bem do nosso feitio. Faz doer menos? Às vezes. Nem sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de termos cavalgado juntos, no último dia. Estávamos no lugar que nós dois mais amávamos no mundo. O sol estava se pondo, tudo estava de uma cor dourada. Você cavalgava na minha frente, e eu corria com meu cavalo pra te alcançar, e aquele vento delicioso mexia seus cabelos curtos e escuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mesmos cabelos curtos e escuros que eu lembro de ter olhado a água mexer, muitos anos antes da cavalgada. Eu não sabia nadar, mas amava a água, então você me colocava nas suas costas e nadava comigo montada ali. A mamãe gritava, mas eu não sabia por quê. Afinal, eu me sentia totalmente segura ali, enquanto você mergulhava e eu via a água fazer seus cabelos se mexerem. Era uma época que eu era pequena o suficiente pra não me lembrar quantos anos tinha. E pequena o suficiente pra caber nas suas costas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Céus&lt;br /&gt;Conheci os céus&lt;br /&gt;Pelos olhos seus&lt;br /&gt;Véu de contemplação"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora eu estava grande. Agora eu era uma menina boba de 13 anos, que como toda garota, criticava o pai e fazia caretas sarcásticas por coisas sem importância. E eu menti pra você. Eu menti quando disse que, de manhã, tinha conseguido abrir a porteira sem descer do cavalo. Acho que você desconfiou, porque me perguntou várias vezes se eu tinha mesmo conseguido. Eu menti porque queria que você se orgulhasse de mim. Como uma menina de 13 anos poderia fazer o pai se sentir orgulhoso, se não fosse abrindo a porteira sem descer do cavalo?&lt;br /&gt;Todas essas pequenas coisas não tinham importância, porque naquele dia nós tínhamos cantado a música do lobisomem como não fazíamos há um bom tempo. E agora cavalgávamos. E eu desejei poder ter outros momentos como aquele com você. Lógico que eu teria! Afinal, eu era uma adolescente e meu pai era forte e jovem. Ele me veria entrar na faculdade, me acompanharia no meu casamento. Ele cantaria a música do lobisomem para os meus filhos, e eles iam cair na gargalhada, sentados no colo dele, como eu fiz um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela não era hora de pensar nisso. Era hora de correr, de pressionar mais a barriga do cavalo, porque eu queria te alcançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia seguinte veio, e você foi embora. Pra um lugar onde não era possível te alcançar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Antes de você perder a consciência, eu lembro de ter te visto sentir dor. Muitos anos mais tarde, em conversas desimportantes sobre curiosidades, eu escutei mais de uma vez que a dor do ataque cardíaco é uma das mais fortes do mundo, perdendo apenas para a dor do parto e a das pedras nos rins. Provavelmente a dor que eu senti quando escutava aquilo era forte o suficiente para também entrar nesse ranking. Mas, naquele dia, eu não sabia que sentiria essa dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo foi tão rápido... A porta estava entreaberta, e eu fui a única que viu. Os choques. E pude sentir que, no segundo seguinte, você não estava mais lá. Dizem que quando vemos coisas que doem muito, o cérebro tenta apagar essas imagens e sensações da nossa memória. Agradeço ao cérebro pelo serviço prestado. Acho que doeria ainda mais se eu me lembrasse das cores, dos cheiros, ou da ordem cronológica das coisas. Não. Só me lembro de pedaços. E do médico me levando pra uma sala para contar o que eu tinha acabado de ver com meus próprios olhos. Eu não chorei. Só fiz uma pergunta: Não dá pra voltar atrás? O médico fez uma cara que misturava a pena com a confusão. Que tipo de pergunta era aquela? Ok, era normal as pessoas perguntarem se não havia mais nada a ser feito para salvar a pessoa que morrera. Mas a pergunta não fora essa. A pergunta estava bem formulada: "Não dá pra voltar atrás?"&lt;br /&gt;Na hora nem eu sabia, mas aquela pergunta sem sentido, que saíra da minha boca, não fora dirigida ao médico. Eu estava perguntando pra alguém, nem sei quem. Meu pai estava morto, e todo meu conceito de realidade estava bagunçado. Se a realidade podia ser bagunçada daquele jeito, ela bem que poderia ser bagunçada a ponto de eu poder, por passe de mágica, voltar no tempo. Não é?&lt;br /&gt;Se eu não tivesse me despedido dos animais e atrasado as coisas... Há duas hora atrás, estávamos todos nos arrumando, porque tínhamos que sair do sítio e voltar pra casa. O sol estava forte, e fazia um calor mormacento. Eu tinha ouvido falar (minha mãe dissera?) que meu pai estava com dor no braço. Normal, ele tinha feito tanto esforço ajudando a construir a cerca, ontem... Falavam sobre passar no hospital da cidadezinha, antes de seguir viagem. Eu não sabia se era mesmo necessário. Era só uma dor muscular, oras!&lt;br /&gt;Eu tinha que me despedir do sítio, pois ficaria um tempão sem voltar pra lá, e era meu lugar preferido. E fiz isso. Eu estava lá, me despedindo dos cavalos, dos porcos, das árvores e dos filhotes de passarinho, porque eu ficaria o ano inteiro sem vê-los. E você estava sentado perto da soleira, e eu não sabia que já sentia dor. Dentre mais ou menos uma hora, você iria embora para sempre. Não era por um ano. Para sempre. E eu nem ouvia o que você dizia. E eu me despedindo de porcos. De porcos!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, era isso. Eu só tinha que voltar no tempo, apenas uma hora atrás, e agilizar tudo. Mandar os porcos pro inferno, apressar todo mundo, pra que arrumassem tudo e chegássemos no hospital rápido, e descobríssemos que a “dorzinha muscular” era na verdade um começo de ataque cardíaco. Daí ele tomaria remédio, e seguiríamos viagem. Ele não teria o ataque bem na frente da porta do hospital. Ele não morreria. Daria tempo.&lt;br /&gt;Era isso, eu tinha que voltar uma hora atrás. Ou voltar um dia antes, pra que eu acelerasse o cavalo e pudesse alcançá-lo. Ou então voltar pra uma dimensão em que eu pudesse arrancar meu coração e fazê-lo bater no peito de outra pessoa. Qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim. Quis sair de mim.&lt;br /&gt;Esquecer quem sou&lt;br /&gt;E respirar por ti.&lt;br /&gt;E assim, transpor as leis mesquinhas dos mortais"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o médico me disse que não, que não dava pra voltar atrás. E assim eu descobri que a realidade só é bagunçada pra nos fazer sentir dor, e nunca pra nos ajudar a solucionar as coisas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Os dias seguintes se passariam assim, fora do ar. E o calor mormacento caiu do céu em forma de tempestade turbulenta. Tudo é uma lembrança nebulosa de caos. Quando as coisas começaram a voltar a fazer sentido, eu me vi na posse de 3 coisas: lembrança, tristeza e uma capinha de celular. Tinham aberto o guarda-roupa e sumido com tudo, mas eu fiquei com a capinha de celular. Era feita de couro e estava impregnada com seu cheiro. Uma capinha masculina, de couro grosseiro, velha, já rasgando. Fiquei um tempo com ela. Eu me lembro que mais de uma pessoa me criticou por usá-la. "Que capinha feia para o celular de uma mocinha!", elas diziam.&lt;br /&gt;Eu só concordava, sem falar nada. Como eu ia tentar explicar aquilo pras pessoas? Será que elas não entendiam que aquela capa de celular valia mais que ouro? Que havia nela uma essência que estava perdida do mundo para sempre, e que ninguém jamais poderia recuperar em lugar algum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou. E seu cheiro um dia saiu da capinha de celular, como de todo o resto do mundo. Eu tentei, eu inspirei o ar com força, mas havia sumido. E, mesmo que não tivesse saído, eu já sabia que não podia ficar me prendendo a coisas como capinhas de celulares. E ela virou, finalmente, o que ela sempre fora: uma capinha de couro velha e rasgada. Nesse dia, eu senti o medo de que não havia mais nada físico que me ligasse a você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tempo se passou. Um dia, me peguei olhando pro espelho. Não do jeito que eu me olho no espelho, todos os dias. Não do jeito que uma mulher (já adulta?) se olha quando se auto-critica ou se auto-admira. Não. Me peguei olhando no espelho de um jeito diferente.&lt;br /&gt;Durante todos esses anos, eu havia escutado muitas frases do tipo:"Nossa, como ela se parece com ele, né?"; "A filha caçula é a cara dele!"; "Ela é cara e fuça"; "Ela gosta de aventuras, e de cantar. Parece o pai, né?"; e blábláblá. Ouvia isso sempre. Eu sorria, concordava com orgulho, e fim.&lt;br /&gt;Mas um dia, eu me olhei no espelho.&lt;br /&gt;E pude ver. Algo nos olhos. No jeito que abaixamos a cabeça quando falamos sobre sentimentos, como se tivéssemos vergonha de sentir as coisas. No jeito como frisamos os lábios, levantamos as sobrancelhas e balançamos a cabeça quando queremos dizer "É, a situação tá feia". No jeito de chorar. E no jeito de rir.&lt;br /&gt;Estava lá.&lt;br /&gt;Em mim.&lt;br /&gt;E o que senti foi ao mesmo tempo óbvio, estranho e maravilhoso. Porque eu acabara de perceber que sim, ainda havia uma coisa física que continha uma parte sua. E que, magicamente, a única forma de eu ficar perto dessa coisa, era ficar perto de mim mesma. Porque era eu.Uma parte de você sempre estaria comigo, nem que eu não quisesse, sempre estaria. O que eram capinhas de celular perto de ter, literalmente, 50% de você comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí entra o maravilhoso. Eu acredito, eu sei que há um depois. Eu sei que as vezes você pode ver e sentir o que eu falo. Os cristãos pensam que há outra coisa diferente. Os espíritas, outra. Os budistas, os muçulmanos, crêem em coisas totalmente diferentes. Há quem pense que quando morremos viramos luz e esquecemos tudo que fomos. Há quem não pense nada, que simplesmente morremos, deixamos de existir. Quem está certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa quem está certo, ou se há uma teoria certa. O que importa é algo muito óbvio, que filosofia ou crença nenhuma pode contestar: nesse exato instante, uma parte sua vive.&lt;br /&gt;É fato, é claro, é provado cientificamente. Uma parte sua vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vou, entre a redenção&lt;br /&gt;E o esplendor&lt;br /&gt;De por você viver."&lt;br /&gt;E essa parte de você estava comigo quando passei na faculdade. Vai estar comigo quando eu conseguir o emprego que sonho. Estará comigo se um dia eu me casar. Ela vai cantar a música do lobisomem pros meus filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E espero fazer de tudo para que essa parte sua, tanto a física quanto a outra, tenha orgulho de mim. Já conquistei algumas coisas, algo me diz que você se orgulharia. Ainda não consigo abrir a porteira sem descer do cavalo... Mas tenho certeza que, quando eu conseguir, vou cair na risada por no mínimo meia hora.&lt;br /&gt;E não passa um dia nesse nosso planeta que eu não pense em você. Nem um dia. E eu te amo tanto, e é um amor tão lindo, que quase não cabe em mim. Porque nada pode mudar isso. A falta, a tristeza e a dor que senti, e a alegria e saudades que sinto agora, tudo só serve pra trazer isso: o mais puro e sincero tipo de sentimento que o ser humano pode ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando o frio vem nos aquecer o coração &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Quando a noite faz nascer a luz da escuridão &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;E a dor revela a mais esplêndida emoção: O Amor."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-1372551222706625130?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/1372551222706625130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=1372551222706625130' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/1372551222706625130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/1372551222706625130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/08/mais-um-dia-dos-pais.html' title=''/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-tEHiz66re3E/TlLKUFMKiKI/AAAAAAAAAHQ/z9mCYQ4N5Uc/s72-c/narciso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-6189661377185376205</id><published>2011-07-11T21:49:00.000-07:00</published><updated>2011-07-25T10:52:51.519-07:00</updated><title type='text'>O caderno</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;O que diabos eu estava procurando naquela caixa empoeirada? Não lembro. Esqueci de tudo quando achei um caderno roxo com desenhos dos Tiny Toons.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com cadeado. Lógico. Era uma época que diários tinham cadeados e era seguro deixá-los em cima da escrivaninha. Não tão seguro assim, na verdade. Consegui abrir em um segundo com um grampo de cabelo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A primeira página estava escrito "Diário de Fernanda Braite" em letras prateadas e ornamentadas de um jeito medieval. Não combinava nada com a capa, mas tudo bem. Na segunda página, descobri que aquele era um diário de uma menina de 12 anos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que se espera de um diário desses? Páginas sobre cores, roupas, filmes, amigos, paqueras, coisinhas de 12 anos... Não. Não só isso, pelo menos. O que eu fui percebendo era uma garota alegre, mas de um jeito bem peculiar. Citava as meninas da escola com análises psicológicas profundas, sem entender direito o comportamento de nenhuma das colegas. Ficava muito brava quando a mãe e a irmã brigavam enquanto ela estava tentando ler. E super empolgada com as invenções do pai, como o "boné do apagão" ( época do "apagão", meses em que São Paulo estava com um sério problema nas usinas hidrelétricas e a cidade ficava grande parte do dia no escuro. O pai da menina chegou em casa com um boné que tinha uma lanterninha na aba, à pilhas, estilo aqueles capacetes de mineradores). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gostava tanto de animais e plantas que um dia as meninas fizeram coro em volta dela pra chamá-la de bruxa. Elas gritavam, e tudo parecia vagamente com o que hoje em dia se chama de bullying. Mas a menina dona do diário, apesar da vontade de chorar, olhou aquelas garotas gritando e pensou: "Bruxa... é. Talvez". E começou a pesquisar livros sobre o assunto.  Acabou descobrindo que as colegas estavam certas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De repente, o diário parava... Fiquei curiosa. Eu sabia o que acontecia, mas fiquei curiosa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma folha em branco, e depois um pulo de datas de 1 ano e meio. Mais pulos de datas. E o diário de todo dia virou um caderno onde a menina escrevia como estava a vida dela, com intervalos de 2 ou 3 anos. Era isso. Um caderno que a garota encontrava, de vez em quando, por acaso, nas caixas empoeiradas da sua casa. E depois se esquecia dele, para depois voltar a encontrá-lo. O que tinha la? Alegria. Morte. Amores. Dor. Mais alegria. E análises.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vida dela virou 360 graus, 720 graus, 1080 graus, como ela costuma dizer. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"As vezes bate uma vontade de querer ser outra pessoa. Não, não estou deprimida. Eu me amo. Só que, como todo mundo sabe, amar é difícil pois a gente espera coisas da outra pessoa que as vezes ela não faz. Levando em consideração que essa pessoa sou eu, tento não me decepcionar."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma das frases da menina, já com 13 anos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não posso falar por ela. Mas posso falar por uma de 23, que vai fazer o possível pra não decepcioná-la. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-6189661377185376205?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/6189661377185376205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=6189661377185376205' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/6189661377185376205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/6189661377185376205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/07/o-caderno.html' title='O caderno'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-4551751327089187179</id><published>2011-07-01T15:46:00.001-07:00</published><updated>2011-07-01T15:59:56.736-07:00</updated><title type='text'>ACUMA???</title><content type='html'>-O QUÊ??? COMO ASSIM???&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pois é. Como assim? O mundo gira de maneiras tão inesperadas! Coisas que pareceriam óbvias podem (simplesmente) não serem óbvias? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a ironia dramática, que faz com que mudemos os papéis nessa peça maluca? Será que ela se diverte com a nossa cara, aquela que fazemos quando notamos que de repente não estamos mais no lugar que devíamos (achávamos) estar? Que o lugar novo é justamente aquele que antes a gente criticou tão piamente, mas que agora parece tão deliciosamente confortável que você se sente até cruel por estar feliz? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que diabos está acontecendo aqui? Não sei. Mas estou adorando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-4551751327089187179?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/4551751327089187179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=4551751327089187179' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/4551751327089187179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/4551751327089187179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/07/acuma.html' title='ACUMA???'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-5589477673630595002</id><published>2011-06-22T16:46:00.000-07:00</published><updated>2011-06-22T16:47:04.457-07:00</updated><title type='text'>Cinderela</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; "&gt;Eu acordei porque meu despertador tocou, e não porque passarinhos e ratinhos vieram me acordar cantando. Aliás, cá entre nós: nada contra ratos, já que fomos nós os culpados por eles serem sujos e superpopulosos. Tem uns que são até fofinhos. Mas se eu acordasse com ratos pulando na minha cama e guinchando canções, eu ficaria, no mínimo, bem assustada.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não arrumei a casa, mas lavei a louça acumulada de ontem. Não porque sou bondosa, e sim porque se minha mãe chegasse em casa e visse a louça por lavar, ela iria virar mesmo uma madrasta. Uma madrasta perigosa, bravejando sobre como eu não participo da organização da casa. E com motivo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nenhuma fada-madrinha veio me ajudar a me vestir. Teria sido muito bom. Infelizmente, eu tive que, sozinha, achar alguma coisa vestível naquele guarda-roupas caótico. E me lembrei, de novo, que se eu fosse uma moça mais prendada, ele não estaria tão desarrumado assim. De novo me veio na mente uma mãe-madrasta criticando minha falta de organização com roupas. Com motivo, novamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas coloquei um sapatinho bem pequeno. Gostava dele, e estava fácil de achar. Deixava meu pé ainda menor, mas isso eu só reparei quando já estava andando na rua, vendo que meus pés quase não apareciam por baixo das barras da calça jeans.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estava correndo. Tinha a esperança vaga de que se eu chegasse logo na Universidade, eu poderia fazer tudo que eu tinha que fazer e sair de lá antes da meia-noite. Antes da meia-noite!! Não que eu virasse abóbora, depois disso. Mas seria muito bom dormir mais cedo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E foi correndo na escadaria da Catedral da Sé, pra cortar caminho pro ponto de ônibus, que aconteceu. Não era a escadaria de um castelo, mas a Catedral da Sé é o que mais chega perto de um castelo nessa cidade, não é? Eu corri, como pobre moça apressada. Quando cheguei ao fim, vi que meu sapatinho do pé direito havia ficado no segundo degrau.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não foi uma torção de pé, nem nada esdrúxulo. Foi com classe. Ele simplesmente ficará lá, no meio do caminho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A correria era tanta que eu, por alguns segundos, fiquei mesmo com ar de princesa, pensando se deveria continuar correndo e simplesmente deixar o sapato lá. Esses segundos foram suficientes pra eu pensar: o que aconteceria se um príncipe pegasse meu sapato e saísse pela cidade tentando encontrar a dona que calçasse aquele pé, para pedi-la em casamento? Ia encontrar pelo menos umas 300 noivas!! Afinal, numa cidade como a nossa, eu não era nem de longe a única a calçar aquele número. E, se por algum milagre ele me encontrasse, a única coisa que teria de mim seria um "Nossa, moço, obrigada por achar meu sapato!". Tá bom que eu iria me casar com um lunático do qual eu só conheço a mania estranha de ficar indo de porta em porta calçando pés de mulheres! Maluco, no mínimo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como não apareceu nenhum príncipe, eu tive que voltar a subir as escadarias e pegar meu sapato de volta. A carruagem 7411- Cidade Universitária havia acabado de passar. Eu podia esquecer a possibilidade de sair do baile antes do relógio bater doze badaladas. Inferno!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tudo bem. Hoje, Cinderela. Amanhã, quem sabe, sou um pouco Bela Adormecida e me deixam dormir por 100 anos. E se algum infeliz me acordar com um beijo antes do meio-dia, juro que viro dragão.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-5589477673630595002?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/5589477673630595002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=5589477673630595002' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/5589477673630595002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/5589477673630595002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/06/cinderela_22.html' title='Cinderela'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-9055342672706825874</id><published>2011-06-22T16:29:00.000-07:00</published><updated>2011-06-22T16:36:28.979-07:00</updated><title type='text'>Novela</title><content type='html'>A cabeça dela estava rodando mais que um peão no dorso de um peru bêbado na véspera de Natal.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ligou o rádio. Uma música da Luciana Mello. Era esse o nome da cantora, que o cara da rádio tinha acabado de dizer????&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Isso já tá virando novela: não precisa assistir pra saber o final."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É, tem razão. E além de não assistir, acho que vou até desligar a televisão. Porque essa trama conseguiu me estressar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-9055342672706825874?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/9055342672706825874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=9055342672706825874' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/9055342672706825874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/9055342672706825874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/06/novela.html' title='Novela'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-8415952249185211595</id><published>2011-06-10T21:01:00.000-07:00</published><updated>2011-06-10T21:20:33.041-07:00</updated><title type='text'>Dúvida</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela teria que andar pelos próximos 50 minutos. O céu estava laranja e amarelo, lindo. Logo escureceria, e ela tinha que atravessar a ponte. Imaginou-se andando pela ponte, sozinha, num começo de noite. Ficou apreensiva. Mas ainda não era hora de pensar na ponte, e ainda nem tinha escurecido. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Merda de mania de pensar no futuro, e não no presente”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensou em outra coisa. Algo do presente que pedia sua decisão pro futuro. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sabia se chorava ou ria. Escolheu por rir, porque parecia a atitude mais agradável. Então, riu. Riu de gargalhar, porque a situação era mesmo ridícula. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não pareceria tão ridícula nas próximas 48 horas. Pelo menos ela não riria mais daquilo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Que fazer? Que fazer? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E não era óbvio? O sol havia sumido. Ela devia fazer o mesmo. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando atravessou a ponte, já estava escuro. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas havia outras pessoas fazendo o mesmo, e ela não correu perigo algum. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-8415952249185211595?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/8415952249185211595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=8415952249185211595' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/8415952249185211595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/8415952249185211595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/06/duvida.html' title='Dúvida'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-152066435122603728</id><published>2011-05-24T12:02:00.000-07:00</published><updated>2011-06-07T06:09:58.330-07:00</updated><title type='text'>Beijada</title><content type='html'>&lt;div&gt;Sentada na estação, esperando um trem lerdo que insistia em ajudar a estragar o dia. Dia este, aliás, ensolarado e bonito, daquele jeito irônico que só os dias bonitos conseguem ter, quando na verdade o céu deveria estar negro e soltando raios nos transeuntes, pra combinar com meu estado de espírito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Eu sinto muito. Não vou poder me dedicar a vocês tanto quanto eu gostaria", era o que eu havia dito naquela manhã. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Afundava o livro na cara, pra esquecer o dia bonito. De repente, um movimento perto do meu rosto me assustou. Um flipar de asas sensíveis batia bem na frente do meu nariz. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era uma borboleta. Voou na frente do meu rosto por uns 3 segundos, afastando e aproximando, no que eu senti a sensação de que ela iria me beijar. Pra logo depois pousar exatamente no meu dedo indicador, na minha mão direita (que só agora eu via que estava apoiada no encosto da cadeira com a palma pra cima e os dedos dobrados delicadamente, como quando as imagens de santos parecem querer receber alguma coisa). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Levantei a mão para olhá-la de perto. Ela pousara virada para mim, e levantava e abaixava as asas bem devagar, numa especie de comunicação. Virou no proprio eixo, caminhou pelo meu dedo, sempre mexendo as asas para que eu visse cada detalhe de seu fundo negro coberto de manchas amarelas, cada uma com um formato diferente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por quanto tempo durou a nossa conversa? Não sei dizer. Pareceram horas. Mas era tão especial que a sensação era de segundos. Ou será que foram segundos que, de tão especiais, pareceram horas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por fim, vi uma quase microscópia língua de borboleta (daquelas que saem desenrolando) encostar no meu dedo, para logo depois ela levantar vôo e ir embora quase em linha reta de onde eu estava, até desaparecer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Isso sim, foi um beijo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-152066435122603728?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/152066435122603728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=152066435122603728' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/152066435122603728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/152066435122603728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/05/beijada.html' title='Beijada'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-9036327257771526429</id><published>2011-05-22T23:18:00.000-07:00</published><updated>2011-05-22T23:54:40.846-07:00</updated><title type='text'>Pirexia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Era fato: as paredes do quarto estavam se mexendo sozinhas. E não teria sido pouco dizer que Ana desesperou como nunca havia desesperado. Afinal, aquilo só podia ser obra de algum tipo de manifestação demoníaca. As paredes começaram a se fechar em torno dela, bem apertadas. E antes dela começar a berrar com todas as forças, elas já se abriam outra vez. Ondulavam, tremiam. Pareciam brincar e gostar de se mexerem, já que nunca na existência de uma parede era possível dançar assim. “E por isso elas estão aproveitando tanto a situação!”, pensou Ana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não era a primeira vez que coisas estranhas aconteciam. Quando o ar do quarto começou a adquirir a cor vermelho-licorado e virou um forno, Ana sabia que tinha que começar a rezar. Era o forno frio, de novo. O ar estava quente, ela sentia o ar quente. Sua pele, as coisas, tudo em volta era quente. Mas estava frio. Todos tremiam, estava frio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Sua mãe entrou no quarto e começou a rezar com ela. Sua irmã Sara também. Todos da casa rezavam pra ver se aquela manifestação passava. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Às vezes sua mãe pedia que elas rezassem embaixo d’água. Ana detestava aquilo. Rezar enquanto tomava banho de água fria! Que ideia! Era a pior tortura do mundo, tomar banho frio com a temperatura que estava fazendo. Devia estar abaixo de zero.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Era penitência. Quanto mais penosa era a reza, mais funcionava. Ana gritava e reclamava toda vez que eles cismavam em fazer a “reza molhada”, mas tinha que admitir que funcionava. De todas as vezes que as manifestações haviam passado, foi por causa da reza molhada. Mas era frio... Tão frio...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Ela não agüentava mais. Por que aquilo acontecia logo no seu quarto? Logo ela, uma moça direita, de família, prendada. As coisas pioravam de noite. Durante o dia, tinha vezes que tudo parava e voltava ao normal. Mas assim que a noite caía, as manifestações voltavam como se estivessem ficado o dia todo a espreita, esperando o último e ínfimo raio de sol ir embora, como a raposa esgueirando entre as moitas e esperando o fazendeiro sair pra poder roubar a galinha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Galinhas... Alguém precisava dar milho às galinhas! Se Ana pelo menos pudesse sair daquele quarto maldito... Mas o quarto era dela e era ela quem precisava se livrar daquilo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Ouviu alguém na sala dizendo que Daniel vinha esta tarde. Daniel! Seu noivo.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Ela amava Daniel. Quanto tempo ela tinha pra se arrumar, antes que ele chegasse? Seu vestido estava passado? Onde a irmã havia deixado a fita de cetim nova? Ana gritou por Sara e pela fita. Mas a maldição de seu quarto fez com que as horas virassem minutos e, quando Ana percebeu, já era noite. Às vezes acontecia ao contrário: os minutos viravam horas e ela ficava presa no tempo. Teve uma vez que ela ficou uma semana inteira no dia 03 de Abril. Teria ficado mais um mês, se não tivesse rezado debaixo da água fria até bater os queixos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Mas que inferno! Já era noite? Daniel tinha vindo, afinal? Onde estava a bendita fita de cetim? Como era de se esperar, tudo piorou com a noite. As manifestações voltaram, como a raposa espreitando. O quarto já estava vermelho quando sua prima Gabriela entrou para dormir. Gabriela. Sempre tão chata e asquerosa!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;No frio gélido e quase insuportável da madrugada, Ana acordou. Tinha dormido? Olhou para o lado. Só viu a prima, que dormia. Foi então que a magia do quarto fez uma das piores coisas que já havia feito: fez Ana trocar de corpo com Gabriela. Quando Ana deu por isso, desesperou. Mais ainda. Paredes fechando, ar ficando vermelho, frio gelado, calor úmido. Aquilo não era nada perto de se ver dentro de um corpo que não era o seu! Estava gorda, feia! Onde estava seu corpo pequeno e magro, tão delicado e sempre elogiado pelas amigas e pretendentes? Onde estavam seus cabelos castanhos claros tão longos e ondulados, sempre lavados com água de coco aos domingos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Não! Estava gorda! Agora tinha uma pele de cor suja por marcas de espinha, um cabelo crespo seco. Era alta demais, grossa demais. E má! Não era mais doce e gentil. Era má e ambiciosa. Era Gabriela! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Chorou e gemeu por horas. O que iria fazer? Daniel vinha visitá-la no dia seguinte! Ou seria ontem? Hoje seria ontem? Daniel jamais continuaria gostando dela quando a visse tão feia daquele jeito. E sem a fita de cetim! Podia esquecer seu noivado. Ele deixaria de amá-la, tinha certeza. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;          &lt;/span&gt;E sabe o que era mais estranho? Ela era Gabriela, mas ela ainda podia ver Gabriela dormindo na cama ao lado. Isso significava que ela estava fora e dentro de seu corpo, ao mesmo tempo. Ou melhor, de seu novo corpo, seu novo corpo horrendo e gordo. E onde estava seu corpo antigo? O que a alma da Gabriela tinha feito com ele, onde o havia levado? Se aquela invejosa estivesse usando seu corpo antigo pra fingir ser ela e roubar Daniel... E roubar as contas coloridas, os vestidos e a fita de cetim! Roubar as raposas, como uma galinha que espera o fazendeiro acabar com a luz do sol!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Não queria ver Daniel, não queria! Tinha aparecido flores brancas em volta de sua cama... Aquele cheiro horrível! Brotaram flores em volta da cama, pra ela achar que estava morta! Não estava morta! Não queria que Daniel a visse gorda e morta!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;De repente, o caos. Tinha um demônio dentro do quarto. Um homem horrível, que usava preto! Parecia padre. Era um demônio padre!As paredes estavam se mexendo. O ar estava de cor vermelho-licorado. Tudo estava quente e fazia um frio insuportável, e ela começou a tremer, tremer, tremer. E ela era Gabriela. Tinha que rezar. Ave Maria, cheia de graça, o senhor é convosco... Afinal de contas, o que significava a frase “O senhor é convosco”?? O senhor é &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;o quê&lt;/i&gt; convosco? ...Tinha que ter concentração. Difícil. As paredes estavam ainda mais próximas, e agora que ela era gorda, ficava mais fácil de ser esmagada. Ave Maria... Ave. A galinha é uma ave. Será que a essa hora o fazendeiro já tinha conseguido roubar o raio de sol da galinha, depois que a raposa tinha ido embora? Ave Maria, cheia... Como era mesmo que se rezava? Ela tinha que terminar a reza, ela tinha que terminar! Meu Deus, como era mesmo que se rezava?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Sua mãe estava no quarto. Sara trazia mais flores. Ela não queria flores, ela queria a fita! Sua mãe, rezando com ela, achou que era hora de apelar pra reza molhada. Arrastou Ana até o banheiro e entrou com ela na tina. Foi engraçado como a mãe a arrastou com facilidade, se ela não era mais magra. Ou era? Tinha voltado a ser ela mesma? No caminho para a banheira, viu de relance o rosto de Daniel. Ele estava lá! Ela tinha que ser ela, porque ele estava lá! Ela tinha que ser ela, porque se não fosse, ele ia deixar de gostar dela. Onde estava a fita? A raposa havia roubado!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Frio. A água da banheira era gelada, tão gelada... Ana tremia mais do que nunca. Tremia tanto que podia sentir seu corpo fazendo ondas dentro da tina de água congelante do banheiro. As ondas transbordavam. Ela estava em alto-mar. No escuro. Tão gelado, tão gelado. E se tivesse bichos nadando embaixo dela? Bichos com dentes... Tinha! Ela tinha certeza que tinha bichos enormes nadando embaixo dela! Eram cegos, porque viviam no escuro. Cegos e surdos, mas podiam sentir seu cheiro! Ela gritou. Ela não queria mais sentir frio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Estava de volta na sua cama, e ainda estava frio. E o ar ainda estava vermelho. As paredes não fechavam mais. Só ondulavam, como a água da banheira quando o corpo dela se debatia. Ela ainda se debatia? Sim, mas não tinha água. Tinha panos. Lençóis. E pedaços de pano úmido pelo corpo. Nas pernas, têmporas! Alguém estava colocando panos gelados nela! Por que, por que queriam que ela continuasse a sentir tanto frio? Por que a odiavam tanto?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Às vezes tudo ficava vermelho escuro, e tudo rodava de baixo pra cima, e de cima para baixo. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Ouvia sua irmã chorando, longe. Por que ela estava chorando? Pelo amor de Deus, Sara, onde está a raposa de cetim? Sua mãe rezava. A voz de sua mãe rezava, ela ainda sabia rezar. Longe. Daniel. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;----------------------------------------------------------------------------------------&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Gabriela saiu do quarto arrastando o corpanzil, levando alguns panos embebidos em álcool. Entrou na cozinha para buscar outros. Na sala mal iluminada pelos lampiões amarelos, num dos pequenos sofás, havia um moço sentado. A cabeça quase entre as pernas, desconsolado. Tinha olhos cinzas, bonitos, um bigode fino. O chapéu quase pendia de uma das mãos, junto com um buquê de lírios brancos. A outra mão era passada pela cabeça de um em um minuto. Estava lá havia horas. Ficaria mais, se precisasse. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;A porta do quarto abriu num baque que fez o rapaz saltar do sofá. Deu lugar a uma senhora que saíra de lá, aos prantos. Dona Silvéria aceitou a gentileza e se deixou cair no sofá, entre soluços. A manga longa, bordada em renda e presa até o punho, estava ensopada em lágrimas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;- Como ela está? – quis saber Daniel, ansioso, assim que Silvéria levantou o olhar e se mostrou apta a conversar. – Como está Ana?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;A senhora fez um “não” com a cabeça, exausta,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;- Não conseguimos fazer baixar! – caiu no choro novamente – Não há meios de fazer baixar!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;A velha senhora voltou a soluçar. Daniel olhou para o buquê. Afagou de leve o terceiro lírio, que já murchava. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Pela pequena janela retangular da sala, feita de ferro forjado em flores, entrava uma luz branca de lua minguante. Fraca, pálida, quase doentia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt"&gt;Na noite seguinte, fez-se lua nova. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-9036327257771526429?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/9036327257771526429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=9036327257771526429' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/9036327257771526429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/9036327257771526429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/05/pirexia.html' title='Pirexia'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-7422887988728491885</id><published>2011-05-22T19:56:00.000-07:00</published><updated>2011-05-22T22:42:38.788-07:00</updated><title type='text'>Baladas</title><content type='html'>Ela não conseguia se lembrar qual havia sido a última sexta-feira que ela não passara num lugar cheio de gente e de luzes piscantes.&lt;div&gt;Olhou para os lados e se descobriu cercada de pessoas que se mexiam das formas mais bizarras possíveis. E de casais (heteros ou não) se beijando alucinadamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deu uma risadinha irônica e imaginou quantos daqueles casais ainda se falariam no dia seguinte. Pelas suas contas, o número tendia a zero.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas aquela não era a hora e nem o lugar pra se fazer contas. Uma música conhecida começou a tocar e ela se lembrou o motivo pelo qual estava lá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fechou os olhos e começou a se mover, guiada pelas palpitações que o som fazia ao deslocar o ar, cujas vibrações ela podia sentir na sua garganta. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dispensou (educadamente?) mãos que tentaram segurar seus pulsos, vozes ansiosas que lhe perguntavam seu nome e os olhares sugestivos. Será que queriam que ela fizesse parte do número de casais que não se falaria no dia seguinte (e que tendia ao infinito)??&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por enquanto, só quero dançar. -respondia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E assim o fez.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-7422887988728491885?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/7422887988728491885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=7422887988728491885' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/7422887988728491885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/7422887988728491885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/05/baladas.html' title='Baladas'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-9164080020022617084</id><published>2011-01-31T17:29:00.000-08:00</published><updated>2011-04-27T14:12:44.244-07:00</updated><title type='text'>Humanidade</title><content type='html'>Nós somos fiéis a um time de futebol. Somos fiéis a um reality show. Fiéis a um seriado na tv.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas não conseguimos ser fiéis a um sentimento. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tem alguma coisa errada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-9164080020022617084?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/9164080020022617084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=9164080020022617084' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/9164080020022617084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/9164080020022617084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/01/humanidade.html' title='Humanidade'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-46093476254559098</id><published>2011-01-02T06:31:00.000-08:00</published><updated>2011-01-02T07:05:48.332-08:00</updated><title type='text'>Displicentemente viva</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela estava entediada, aborrecida. Sentada no seu quarto, tamborilando os dedos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Foi quando um vento fortíssimo abriu a janela. E ela ouviu coisas voando. E portas batendo. Um temporal dos mais fortes já vistos começou a querer derrubar o telhado. Ela riu e percebeu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os muros altos não deixariam ninguém ver. E ela pouco se importava, na verdade. O que importava era reverenciar a tempestade. Os trovões que gritavam, o vento que batia, a água escorrendo, tudo se comunicando com ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Arrancou a roupa, que deixou na cozinha mesmo. Saiu no quintal. E dançou. Dançou nua debaixo da chuva, daquele temporal que ia lavando cada centímetro de seu corpo jovem. Não existia mais ninguém. Só ela, a chuva e o vento. Dançou, rodou, girou, riu. A mesma chuva estava caindo em outros lugares. Nas curvas do vale. Nas curvas das montanhas, da terra, dos rios. Ia cair nas flores, nos alimentos que ela comeria, ia servir de bebida aos animais, às plantas. Seus irmãos.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Ela achou uma folha no chão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sentia a água.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Cada pingo caído em sua pele era como uma carícia nova, ia escorrendo pelo corpo, passando por outras curvas. Curvas mais conhecidas. O vale entre os seios, a cintura fina, a dobra da perna, o calcanhar. E escorria para o chão, deixando o êxtase. Um êxtase que nada tinha a ver com malícia. Só tinha a ver com amor. O amor à chuva que trazia vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Estendeu as mãos aos céus. Três gotas brincaram com o “m” de sua palma. Foram as últimas daquele dia.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-46093476254559098?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/46093476254559098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=46093476254559098' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/46093476254559098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/46093476254559098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2011/01/displicentemente-viva.html' title='Displicentemente viva'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-7806790291121937504</id><published>2010-11-29T18:33:00.000-08:00</published><updated>2010-11-29T18:58:07.947-08:00</updated><title type='text'>Sobre amor e chiclete</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;O Doutor organizou alguns papéis na mesa. Pegou a ficha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- José Pereira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um homem cabisbaixo, com uma certa raiva timidamente expressa pela sobrancelha franzida, entrou e se sentou na frente do médico. Meio calvo, magro, sem graça. O tipo que não gosta de ir ao médico. Colocou um envelope branco na mesa. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Seu José – começou o Doutor – Qual era mesmo o seu problema?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Comida, Dotô. – explicou o homem – Num consigo mais comê. Primero que num tenho fome. Mas a gente come, né? Tem que comê. Mas daí é só começá a comê que eu já fico cheio e enjoado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O Doutor pegou o envelope e olhou os exames. Espremeu os olhos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Mas é lógico que não cabe mais comida no seu estômago, Seu José. Ele está cheio. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Cheio? Mais eu num como nada tem dias, Dotô!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Encarou o paciente. Com um olhar que deveria representar o quão grave seria o que ele iria lhe dizer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Seu estômago está cheio de amor indigesto, Seu José.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O homem ficou mudo, estático, enquanto o Doutor pegava papéis de receita e começava a escrever. O “frap frap” da caneta no papel foi o único som por alguns segundos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- O Senhor tem engolido seus sentimentos ultimamente, Seu José? – perguntou, sem tirar os olhos do papel.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- É. Tem que engolir, né? – respondeu o homem, passivo - Se eu não engolir, vô fazer o que cum eles?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Isso faz mal, Seu José. O estômago não foi feito pra digerir esse tipo de coisa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Frap, frap, frap. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Tome, aqui a receita. O Senhor vai tomar esse comprimido de 8 em 8 horas, pra limpar o estômago. Vai ficar vomitando amor por uns 3 dias. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O Doutor apertou a mão do homem e pediu que ele chamasse o próximo paciente. Seu José saiu do consultório se perguntando &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;onde&lt;/i&gt; ele deveria vomitar amor. Em toda sua vida, quando passava mal, vomitara na privada do banheiro. Mas não parecia ser o lugar certo pra se vomitar, dessa vez. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Passado um tempo, uma mulher entrou. Magrela e franzina. Andava aos saltos. Tinha olhos grandes, espertos e rápidos. Cabelo curto virado nas pontas. Inseguros. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ainda com insuficiência cardíaca, Dona Sônia? Trouxe as radiografias que te pedi? – perguntou o médico.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Estão aqui, Doutor. – ela estendeu os exames enquanto se sentava – O primeiro exame cardíaco que fiz na vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O médico abriu e deu um suspiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Chiclete.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- O que o senhor disse? – perguntou ela, com a voz de doninha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Seu coração está lotado de chiclete. Tem alguma idéia de como tanto chiclete foi parar no músculo cardíaco?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela piscou os grandes olhos de lêmure enquanto seus lábios finos tremiam, de maneira culpada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- É..-começou, brincando com os próprios pés- O senhor se lembra que meu coração foi totalmente quebrado, né, Doutor? Foi uma emergência. Só tinha uns cacos, eu precisava colar com alguma coisa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Daí a Senhora colou com chiclete. – não era uma pergunta. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O Doutor estava inconformado. Normal, já vira de tudo nessa vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela deu um risinho nervoso, enquanto ele a encarava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vou explicar pra senhora, Dona Sônia. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Ele pegou um protótipo de coração do lado da mesa. Era cortado ao meio, cor de rosa, com veias amarelas, artérias vermelhas e válvulas azuis.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;– Ta vendo esses músculos aqui? – apontou para as fibras de gesso do protótipo- &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Eles não podem ser colados com chiclete. Na hora até funciona, mas a longo prazo começa a descolar tudo. Sem falar que o coração fica borrachudo com o chiclete seco, e tem mais dificuldade pra bater por alguém, depois. E se ele for quebrado mais uma vez, esses cacos vão virar areia. Daí a senhora não vai conseguir colar nem com cliclete, nem com Super Bonder, nem com mais nada, Dona Sônia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela deu um ganido de preocupação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Parece grave. E agora, Doutor?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vamos ter de fazer uma cirurgia pra tirar esse chiclete todo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os olhos de lêmure voltaram a piscar rapidamente. O problema não era a cirurgia, lógico. O problema era ficar sem o chiclete.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Mas... ele vai voltar a ser quebrado e cheio de cacos! O que vamos fazer?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O médico deu de ombros.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- É uma pena que o símbolo seja o coração. Se fosse o fígado, ele se concertava sozinho.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-7806790291121937504?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/7806790291121937504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=7806790291121937504' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/7806790291121937504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/7806790291121937504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2010/11/sobre-amor-e-chiclete.html' title='Sobre amor e chiclete'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-6045243643493769212</id><published>2010-11-22T13:24:00.000-08:00</published><updated>2010-11-23T06:56:14.873-08:00</updated><title type='text'>Rotação/Translação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/TOvWBfCqdII/AAAAAAAAAGg/7AkwAFrnyjs/s1600/terra.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/TOvWBfCqdII/AAAAAAAAAGg/7AkwAFrnyjs/s320/terra.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542759087410410626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/TOvV0COdrqI/AAAAAAAAAGY/OLh5wdg5w5s/s1600/terra.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando é que o mundo vai parar de girar?&lt;div&gt;Tá, eu sei. O mundo não pode parar de girar. Se o mundo parar de girar, todo mundo morre. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mundo tem de girar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas eu não deveria conseguir sentir isso com os meus pés, deveria???&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-6045243643493769212?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/6045243643493769212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=6045243643493769212' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/6045243643493769212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/6045243643493769212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2010/11/rotacaotranslacao.html' title='Rotação/Translação'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/TOvWBfCqdII/AAAAAAAAAGg/7AkwAFrnyjs/s72-c/terra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-2974122525124295502</id><published>2010-11-12T07:17:00.000-08:00</published><updated>2010-11-12T07:49:18.704-08:00</updated><title type='text'>Damascos</title><content type='html'>Mexia a fruta nos dedos e ria. Estava num campo aberto, e o sol fazia sombras divertidas.&lt;div&gt;Não é incrível? Não é incrível que em tantos anos de existência, eu nunca havia visto um damasco fresco? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era tão difícil de encontrar que eu já cogitara a possibilidade dos damascos nascerem desidratados nas árvores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não. Parecia um pêssego.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O vento bateu mais forte e entrou pelo meu nariz, imponente. Deveriam inventar um perfume com essência de grama recém-cortada. Ou de iminência de chuva. Ou um travesseiro com a textura de focinho de cavalo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;As pessoas ao redor me olhavam. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu estava rindo sozinha. De novo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-2974122525124295502?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/2974122525124295502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=2974122525124295502' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/2974122525124295502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/2974122525124295502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2010/11/damascos.html' title='Damascos'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-772422740563131022</id><published>2010-11-04T18:31:00.000-07:00</published><updated>2010-11-04T18:35:54.109-07:00</updated><title type='text'>Serventia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 19px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;Desde muito cedo ela aprendera que o coração só serve pra doer. Fisicamente ou não.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela estava estendida na cama, os braços ao lado do corpo. Ela olhava as frestas da janela e os raios que entravam por elas. Eles faziam riscos no ar escuro do quarto. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tinha sido bonita, um dia. Agora, apesar da avançada idade não tão avançada assim, conservava nos olhos um brilho que lembrava muito aquele que ela tinha quando seu pai a jogava pra cima. Ela ainda lembrava o frio na barriga. Ele a virava de cabeça pra baixo, enquanto falava que eles deviam fugir com o circo pra fazer números de acrobatas. Ela ria até as costelas doerem. E a mãe encarava, com tédio, do sofá de onde tricotava um pulôver que a menina nunca tinha visto terminado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;De volta ao presente, ela abriu o guarda-roupa bagunçado e puxou um pulôver terminado. Não interessava qual era o tempo que fazia. Tinha frio sempre.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fez um café sem açúcar e comeu um pão francês com manteiga. Lembrou da avó e da pele de suas mãos, que pareciam de papel. Lembrou de como a avó molhava o pão no café, numa época em que até mesmo a sua própria memória era em preto e branco. Pão molhado no café. Era nojento. Mas ainda assim repetiu o gesto e provou. Continuava sendo nojento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Desde cedo ela aprendera que o coração serve pra doer. No meio da sala ainda tinha um urso de pelúcia encardido. Presente do primeiro namorado. E aquele urso doía, doía a todo instante que ela o olhava, lá, no meio da mesa da sala. Ele tinha prometido ou jurado que a amava?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas foi embora pra cidade, quando pôde. Soube pelas línguas dos outros que ele tinha casado. Essas línguas nunca tinham cabeça: eram vozes que chegavam até ela. Podia ser da amiga, da amiga da amiga, do homem que afiava as facas, do homem que afiava as facas pro homem que afiava suas facas. Mas elas vinham. E ela mantinha o urso no meio da sala justamente pra doer. Porque ela aprendera que o coração serve pra isso. E era bom quando doía, pois mostrava que ele ainda funcionava. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Porque ele podia parar de funcionar. Não podia? Tinha acontecido com seu pai, antes mesmo que ela pudesse cogitar em fugir com ele pro circo pra fazer números de acrobatas. E com sua mãe, antes mesmo que ela tivesse terminado o pulôver. E com a avó, antes que o pão estivesse suficientemente encharcado de café. E o coração dela doía ao pensar em cada um deles. Talvez mais do que doía o urso no meio da sala.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Desde sempre ela aprendera que o coração só serve pra doer. E era tão normal, que se ele parasse de doer, seria estranho. Como um estômago que parasse de digerir a comida, ou um fígado que não filtrasse mais o sangue.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Voltando ao quarto, ela olhou os riscos no ar escuro. E decidiu que abriria as janelas.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-772422740563131022?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/772422740563131022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=772422740563131022' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/772422740563131022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/772422740563131022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2010/11/serventia.html' title='Serventia'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-4447637461548571500</id><published>2010-10-25T18:24:00.000-07:00</published><updated>2010-10-26T05:30:59.957-07:00</updated><title type='text'>Flores de Outubro</title><content type='html'>Saí de casa e vi flores caindo.&lt;div&gt;Era uma árvore alta, com flores grandes e bonitas, rosas arroxeadas (ou seriam roxas rosadas?). Caíam aos montes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Caiu uma em cima de um carro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outra à minha direita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma na minha frente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E me senti inquieta. Me senti inquieta porque elas não estavam caindo do jeito que as flores devem cair. Era pesado demais, rápido demais, triste demais. Elas não caíam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Elas despencavam como suicidas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E foi assim que eu passei o dia pensando em flores que despencam como suicidas, e em suicidas que caem como flores, e em flores que despencam como suicidas e são postas nos túmulos dos suicidas que caíram como flores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cheguei em casa. E chovia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-4447637461548571500?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/4447637461548571500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=4447637461548571500' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/4447637461548571500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/4447637461548571500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2010/10/flores-de-outubro.html' title='Flores de Outubro'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-7060672251963638936</id><published>2009-11-30T11:56:00.000-08:00</published><updated>2010-11-03T14:34:15.451-07:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>E a única coisa que ele queria agora era um abraço seu &lt;div&gt;E a única coisa que ele não tinha agora é um abraço seu&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a única coisa que ele pode fazer quanto a isso é chorar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a única coisa que ele SE RECUSA a fazer é chorar&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-7060672251963638936?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/7060672251963638936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=7060672251963638936' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/7060672251963638936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/7060672251963638936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2009/11/blog-post.html' title='...'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-6075314844196813320</id><published>2009-04-07T11:16:00.000-07:00</published><updated>2010-11-03T14:54:35.916-07:00</updated><title type='text'>Identificação...</title><content type='html'>&lt;p&gt;"E Morgana sabia que nunca mais teria a possibilidade de procurar além de si mesma conforto ou conselhos, ela só poderia encontrá-los dentro de si. Nenhuma sacerdotisa, nenhuma profetisa, druida ou conselheiro, nenhuma Deusa para quem se voltar; ninguém, a não ser o ente desorientado que era ela própria" &lt;/p&gt;&lt;p&gt;(do livro "As Brumas de Avalon")&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-6075314844196813320?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/6075314844196813320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=6075314844196813320' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/6075314844196813320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/6075314844196813320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2009/04/identificacao.html' title='Identificação...'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-4353222343079899535</id><published>2009-02-26T10:32:00.000-08:00</published><updated>2010-11-03T14:43:00.101-07:00</updated><title type='text'>Onda</title><content type='html'>Ia passar, ela sabia que ia. E gostaria de não duvidar da própria força, de ter certeza de tudo que era capaz, da mesma forma que algumas pessoas tinham certeza da força dela. &lt;div&gt;O futuro assusta. Ela queria, às vezes, ter a visão de como seria toda a sua vida, até o fim, para depois não se arrepender das coisas. Mas uma vida tão certinha seria divertida? Como queria saber se seria mais feliz se chutasse o balde e mudasse tudo. Mas, como saber? Não conseguia decidir direito que cor de roupa usaria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela se olha no espelho e cada dia vê uma pessoa diferente. Umas bonitas, outras feias, umas gordas, outras magras, umas independentes, outras inseguras, umas inteligentes, outras burras... Qual delas decidiria qual caminho seguir? Ou ninguém decidiria nada? A vontade dela era sentar na areia e esperar para ver o que a maré a obrigava a fazer. Se a onda a faria nadar ou ir pra terra. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Algumas coisas a assombravam. Ela ficava o tempo todo imersa nas coisas e acontecimentos, tomando goladas de angústia pelo o que devia fazer, o que realmente faria e se essas duas coisas coincidiam. O mais racional seria esperar e ver como estava a maré... Mas ela nao queria, porque tinha medo que o mar a engolisse enquanto esperava. De que adiantaria todo o esforço para manter-se de pé, se a previsão era de maremoto? &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não seria. As coisas podem mudar, elas mudam. E faria mudar. Mudaria aquilo, nem que fosse a porretada.  E, se não fosse possível, se o mar mesmo assim insistisse em carregá-la, que assim seja. Ela levantou a cabeça e decidiu o que faria. Lutaria. Se morreria na praia ou não, é uma outra história.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando ela levantou, o mar realmente a levou. Como se só estivesse esperando ela decidir que ir contra a onda era o mais correto. Como se o mar só estivesse querendo essa decisão, porque afogar alguém que luta contra a água é mais divertido. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E agora ela está em cima de um pedaço de madeira mal feito, furado e que fica balanceando pelas águas. Totalmente náufraga. O barco prometeu que voltaria para pegá-la, mas ela, no fundo, achava que o barco não tinha mais coragem de voltar. Ele queria, mas não se arriscaria a ir de novo para aquela parte do mar. Era perigosa, e ele tinha medo. E ela... ela não sabia até quando ficaria lá, boiando no mar. Até que alguém a achasse, ou melhor, que ela mesma achasse uma ilha. Ou não.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-4353222343079899535?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/4353222343079899535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=4353222343079899535' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/4353222343079899535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/4353222343079899535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2009/02/onda.html' title='Onda'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-7615377053057704577</id><published>2008-12-08T09:40:00.001-08:00</published><updated>2010-11-03T14:53:07.665-07:00</updated><title type='text'>Por que tão irônica?</title><content type='html'>A vida gosta de ser irônica. Ela adora. Às vezes acho que ela brinca com a gente. Se for isso, vida,  devo te dizer que acho seu humor de um extremo mau gosto.  &lt;div&gt;Descobri que o coração é um músculo ingrato. Muito ingrato. Não tenho estima alguma por ele. E, para qualquer um que goste de poesia, o cérebro é o órgão opositor a esse músculo bombeador de sangue e de tristeza, não é? Pois eu era fã do cérebro. Ele dá inteligência e se recupera de coisas incríveis. Certo? ... Errado. Tudo farinha do mesmo saco. Tão ingrato quanto o primeiro.  Será que o corpo humano inteiro é assim? Um amontoado de órgãos ingratos que pifam do nada? E enquanto os órgãos deles pifam, eu sou obrigada a ficar aqui, com o coração e o cérebro, ambos doloridos.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Além da ironia de me provar que o cérebro também é um sacana, a vida repete a mesma história. Não acho outro motivo para isso, a não ser rir da minha cara. Por quê? Se seu objetivo é brincar, por favor, brinque com outras ironias. Sei lá, faça minha mãe jurar que vai chover e fazer frio, e eu bater o pé dizendo que não e, assim que eu estiver no meio da rua, sem casaco nem guarda-chuva, caia a maior tempestade depois da vista por Noé e eu me molhe dos pés à cabeça. Faça eu não ir com a cara de alguém e, dias depois, essa pessoa virar minha melhor amiga. Essas sim, são ironias saudáveis! Faça uma dessas, faça qualquer outra coisa. Mas, por favor, pare de me tirar as pessoas desse jeito. De soprá-las como velas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu sei, é o ciclo da vida. É normal. E ainda vou ouvir muitos "ele está melhor agora", ou "era a hora dele" e blábláblá. Eu sei disso tudo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Três vezes. Por 3 vezes a ironia se repete. E haverá outras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-7615377053057704577?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/7615377053057704577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=7615377053057704577' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/7615377053057704577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/7615377053057704577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2008/12/por-que-to-irnica.html' title='Por que tão irônica?'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-6771842159731108126</id><published>2008-09-02T05:52:00.001-07:00</published><updated>2010-11-03T14:19:12.433-07:00</updated><title type='text'>O que eles sabem?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/SL1FBhSGRuI/AAAAAAAAADU/X9qF3RxlwMo/s1600-h/gatinho!.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241421433745589986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/SL1FBhSGRuI/AAAAAAAAADU/X9qF3RxlwMo/s320/gatinho!.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/SL1EKtiZ8sI/AAAAAAAAADM/o-sljoB72ac/s1600-h/gatinho!.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Domingo, eu vi dois filhotes de gato persa. Duas coisinhas peludas. Pequenos como ratinhos. Ainda cegos e surdos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que pode querer um filhote recém-nascido de gato persa, além de se arrastar (sim, eles não andam) até a teta da mãe? O que um serzinho desses sabe sobre a vida? O que eles sabem sobre o desmatamento na floresta Amazônica? Sobre a morte de pinguins em Santa Catarina por causa de óleo no mar? O que sabem sobre as próximas eleições? O que sabem sobre as crianças africanas desnutridas? Sobre os membros amputados dos afegãos? O que sabem sobre a guerra na Geórgia? O que sabem, inclusive, sobre alguma coisa que não seja o cestinho minúsculo onde dormem?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nada. Eles não sabem nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Queria ser um filhote de gato persa.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-6771842159731108126?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/6771842159731108126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=6771842159731108126' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/6771842159731108126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/6771842159731108126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2008/09/o-que-ele-sabe.html' title='O que eles sabem?'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/SL1FBhSGRuI/AAAAAAAAADU/X9qF3RxlwMo/s72-c/gatinho!.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-1757079905824370734</id><published>2008-06-10T07:44:00.000-07:00</published><updated>2008-06-10T08:00:10.102-07:00</updated><title type='text'>DEUS E EU</title><content type='html'>Estávamos tomando chá quente com bolachas. O dia estava frio, então um chá caía bem, embora chá com bolachas seja algo extremamente britânico. Num dia quente, quem sabe marcamos de beber água de coco.&lt;br /&gt;- Estava pensando... - comecei eu - Por que eu escolhi nascer mulher?&lt;br /&gt;- Você escolheu. Teve seus motivos. - respondeu Ele(a) - Ser mulher tem muitas vantagens. Geram a vida, têm mais sensibilidade à magia...&lt;br /&gt;Comi uma bolacha, pensativa.&lt;br /&gt;- Ah, mas vivemos numa sociedade machista. Ainda recebemos menos salário, e sofremos todo o tipo de desrespeito...&lt;br /&gt;- Questão de evolução. Você sabe que estamos trabalhando nisso. - disse Ela(e), com sua voz etérea-  Além do mais, até que já evoluímos bem nesse aspecto. Nessa sua encarnação, a coisa está bem melhor do que naquela da Idade Média.&lt;br /&gt;Apenas arregalei os olhos, concordando rapidamente. Depois de outra bolacha, rugas de dúvida surgiram na minha testa.&lt;br /&gt;- Se Você pudesse escolher entre ser homem e mulher, qual escolheria?&lt;br /&gt;Ele(a) sorriu.&lt;br /&gt;- Não preciso escolher. Sou os dois.&lt;br /&gt;Acenei que sim com a cabeça. Eu sabia disso. As vezes me esquecia com quem estava conversando.&lt;br /&gt;- Sabe... - continuei - Gostei da minha escolha. O que me intriga foi o porquê eu não lembrei dessas malditas cólicas quando escolhi. Estão me matando...&lt;br /&gt;Ela(e) estendeu o bule de chá.&lt;br /&gt;- Tome. Chá quente ajuda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-1757079905824370734?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/1757079905824370734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=1757079905824370734' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/1757079905824370734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/1757079905824370734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2008/06/deus-e-eu.html' title='DEUS E EU'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-4722186557826287877</id><published>2008-04-28T15:20:00.000-07:00</published><updated>2008-04-28T15:23:17.050-07:00</updated><title type='text'>FÊNIX</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/SBZOKusj1nI/AAAAAAAAAC8/GXp6010nViM/s1600-h/fenix.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194425166459033202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/SBZOKusj1nI/AAAAAAAAAC8/GXp6010nViM/s320/fenix.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não sei se fui eu que me queimei...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ou se foi algum incêndio&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nem sei se sobraram cinzas&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;...Mas renasço.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-4722186557826287877?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/4722186557826287877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=4722186557826287877' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/4722186557826287877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/4722186557826287877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2008/04/fnix.html' title='FÊNIX'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/SBZOKusj1nI/AAAAAAAAAC8/GXp6010nViM/s72-c/fenix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-5994057455024806356</id><published>2007-09-06T12:30:00.000-07:00</published><updated>2007-09-06T12:51:57.172-07:00</updated><title type='text'>Carta ao vento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Um senhor de seus oitenta anos caminhava lentamente pela praça, apoiado em uma bengala de madeira escura. Ventava muito e o vento trazia folhas secas, papéis de bala e coisas mais. Uma folha em especial se enroscou no pé do idoso, que se abaixou lentamente para pegá-la e jogar na lixeira mais próxima.&lt;br /&gt;“Esses porcos que jogam papel na rua!”, pensou. De repente viu que tinha coisas escritas na folha. Parecia uma carta recentemente escrita.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;“Querida Beatriz,&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Joguei essa carta no vento, e não sei onde ela vai parar.&lt;br /&gt;Estou escrevendo pra você, porque morro aos poucos de saudade. Como eu queria poder te ver! Por que você não aparece por aqui? Por que não larga o que quer que esteja fazendo, para poder vir visitar esse desesperado que só sabe chamar pelo seu nome?&lt;/span&gt; &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/RuBXyg0_xMI/AAAAAAAAABM/WGMOerO_3J4/s1600-h/mao.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5107178502755435714" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/RuBXyg0_xMI/AAAAAAAAABM/WGMOerO_3J4/s320/mao.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos tentam me convencer a te esquecer. Impossível. Eu te amo, Beatriz, eu sempre vou te amar. Não me interessa que você tenha me deixado, não me interessa que não atenda ao meu chamado. Eu te amo e isso não vai mudar.&lt;br /&gt;Lembra de como nos conhecemos, Beatriz? Eu, apenas um cara calado e na minha, e você uma garota histérica pela chuva infernal que ensopava a todos que estavam no ponto de ônibus. Eu apenas te dei meu guarda-chuva, e você agradeceu me fornecendo uma conversa agradável, naquele dia frio. E nunca mais você devolveu o guarda-chuva, e eu nunca mais consegui ficar sem conversar com você. Lembra do primeiro encontro, do primeiro beijo? Até hoje eu não sei qual era a história daquela peça de teatro. Só fiquei prestando atenção nas suas mãos pousadas no encosto de braço da poltrona.&lt;br /&gt;Depois disso, passamos por momentos mágicos juntos. Ainda não entendi porque você resolveu ir embora. Agora, fico aqui querendo o seu beijo. Você não tem pena de mim, Beatriz?&lt;br /&gt;Por que aquele carro tinha que fazer aquela curva maldita, naquele exato instante? Quando eu soube que você havia se machucado... Beatriz, eu quase enlouqueci! No outro dia já me chamaram para ir te visitar.&lt;br /&gt;Você estava bonita. Como sempre. Colocaram muitas flores na sua cama. Eu sei que você deve ter detestado isso! Como você iria se mexer, com todas aquelas flores em volta? Não havia espaço pra nada! Tenho certeza que você estava imóvel daquele jeito justamente porque não queria amassar flor nenhuma. Tentei explicar para eles que você iria se zangar com aquilo, mas ninguém me escutou. Só sabiam me dar calmantes e mais calmantes.&lt;br /&gt;E todas aquelas pessoas chorando! Meu Deus, que chatice! Não é a toa que você fingiu que estava dormindo. Fingiu muito bem, por sinal. Mas me assustei com a temperatura de suas mãos, que sempre foram tão quentes. Estavam geladas! Seu rosto também estava. Beijei seus lábios, para que você ao menos acordasse para dizer que me amava, mas você continuou dormindo.&lt;br /&gt;O seu quarto e cama estavam bem iluminados, e eu gostei disso. Mas não deviam ter colocado velas. Aquelas velas e aquelas flores exalavam um cheiro de morte. Acho que foi por isso que eles resolveram te trocar de quarto. Mas que quarto horroroso queriam te colocar!! Era fundo, escuro e devia estar congelante! Fria do jeito que você estava, não podiam te colocar naquele buraco! Fiquei furiosíssimo. Deram-me mais calmantes.&lt;br /&gt;Depois disso, nunca mais te vi. Você devia ter me procurado, Beatriz. Há dias que estou desesperado por um abraço. Nunca mais vou ver o seu sorriso? Seu sorriso ou qualquer outra daquelas expressões típicas que só você fazia? Seu cheiro ainda está no meu casaco. O que eu vou fazer quando ele sair, Beatriz? Onde eu consigo mais do seu cheiro?... O balançar de seus cabelos no vento, seu jeito de andar. Sua voz, seu olhar... Onde eles estão? Desapareceram no éter? Venha me ver, Beatriz! Venha e me leve para onde quer que você esteja, eu te imploro!&lt;br /&gt;Ainda estão me dando comprimidos para me acalmar. Viu o que você fez? Tirou minha paz! A saudade está me matando.&lt;br /&gt;Joguei essa carta no vento, e não sei onde ela vai parar. Mas, onde quer que ela pare, sei que você vai lê-la. Porque você está no vento, Beatriz. Posso te ouvir no vento. Você está nele, está na terra, na água. E, principalmente, você está em mim. Sempre.&lt;br /&gt;Do seu Vítor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;O senhor tinha lágrimas nos olhos, quando acabou de ler a carta. Deu um sorriso triste e deixou o vento levá-la, novamente. Tinha que voltar logo para casa. Sua esposa preparara uma sopa quentinha...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-5994057455024806356?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/5994057455024806356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=5994057455024806356' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/5994057455024806356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/5994057455024806356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2007/09/carta-ao-vento.html' title='Carta ao vento'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/RuBXyg0_xMI/AAAAAAAAABM/WGMOerO_3J4/s72-c/mao.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-6743509083039708789</id><published>2007-08-23T08:24:00.000-07:00</published><updated>2007-08-23T08:42:54.206-07:00</updated><title type='text'>ela e o tempo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ela acordou cedo&lt;/span&gt; de novo... Pediu que o relógio do celular volta&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/Rs2pAOk4xhI/AAAAAAAAAA8/wgEo7MQnbJo/s1600-h/tempo.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101919774258546194" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/Rs2pAOk4xhI/AAAAAAAAAA8/wgEo7MQnbJo/s320/tempo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;sse meia hora para trás. O tempo de Bergson fez a meia hora virar 1 minuto, e ela teve que levantar do mesmo jeito (e ainda chegou 20 minutos atrasada na aula que, ironicamente, falava justamente sobre o tempo de Bergson).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Aquela semana tinha sido tão estranha... Ela lembra de ter chorado. Algumas lágrimas tiveram motivo (motivo que ela depois achou exagero dela), mas muitas se aproveitavam de desculpas pequenas para caírem sem razão. Ela não sabia o que o espírito dela tentava dizer, às vezes. Na maioria das vezes. Só sabia que não conseguia ir dormir sem abrir a janela e olhar para uma estrela. Uma estrela pequena, longínqua e de brilho distante. Brilhava menos que as outras, mas, por algum motivo inexplicável, sempre que a moça olhava para o céu, era aquela estrela pequena que lhe chamava a atenção, piscando de diversas cores. E mesmo quando o céu estava totalmente coberto de nuvens (como ontem), sem que nada pudesse aparecer, aquela estrela desvencilhava a névoa e se fazia única no céu, só visível para quem quisesse. E a moça queria, embora tivesse ficado um bom tempo se perguntando como isso era possível, já que estrelas mais fortes haviam sumido. Depois esquecia explicações. Admirava, antes de resolver se deitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Custava a dormir, mesmo quando tinha sono. O cheiro de incenso a embalava, e ela não percebia quando deixava de pensar mil coisas conscientes para começar a pensar mil coisas sem sentido, que era quando os sonhos chegavam. De uma coisa é certa: ela nunca pára de pensar mil coisas. Sonhos estranhos, sempre, mas que diziam algo importante. “Vou começar a dormir com folha e caneta ao lado”. E foi o que fez. Descobriu que não pode se deixar sensibilizar mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/Rs2pH-k4xiI/AAAAAAAAABE/Dh3pYGYIdzk/s1600-h/rosas.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101919907402532386" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/Rs2pH-k4xiI/AAAAAAAAABE/Dh3pYGYIdzk/s320/rosas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Depois da aula de manhã, sentiu que estava estranha. Não estava triste, mas também não se sentia feliz. Sentia-se observadora e um tanto quanto metafísica ao extremo. Olhou para o Sol e descobriu para que lado estava o norte (seria útil mais tarde). Foi até sua árvore preferida e colocou um buquê de rosas secas no pé desta. A árvore era importante, as rosas mais ainda. Então a moça achou que a árvore merecia rosas e que as rosas mereciam a árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Comprou um brigadeiro gigantesco que vinha com um morango gigantesco em cima. Sentou-se num banquinho e tentou se concentrar no sabor. Sentiu-se melhor. “É incrível como a felicidade pode caber dentro de um brigadeiro!”. Ela tinha certeza que várias pessoas contestariam a utilidade dessa felicidade, pelo fato dela ser extremamente momentânea. “E que felicidade não é momentânea??”, perguntou-se a moça, “Felicidade permanente seria uma chatice!”. Várias pessoas a olhavam, porque ela tinha chocolate nos lábios e em partes do rosto. Isso a fez rir de si mesma e sentir-se uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;De repente, teve vontade de escrever (nada anormal)! Limpou o rosto com água fria e dirigiu-se ao computador mais próximo. Enquanto escrevia, alguém a interrompeu. E a felicidade que ela sentiu foi maior do que a do brigadeiro. Não pelo fato de ter sido interrompida, e sim pelo “alguém”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ela teria um longo dia pela frente. Ler muito, escrever, ler um pouco mais.E quem sabe assistir a uma vela verde se queimando. O tempo de Bergson custaria a passar. Mas passaria...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-6743509083039708789?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/6743509083039708789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=6743509083039708789' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/6743509083039708789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/6743509083039708789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2007/08/ela-e-o-tempo.html' title='ela e o tempo'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4XY8qXFTkSc/Rs2pAOk4xhI/AAAAAAAAAA8/wgEo7MQnbJo/s72-c/tempo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2610421319406238291.post-2296584123168382406</id><published>2007-06-05T08:49:00.000-07:00</published><updated>2007-06-05T17:03:00.933-07:00</updated><title type='text'>POR QUE VITRINA???</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A palavra "vitrina" vem do francês, "vitrine", e significa vidraça através da qual ficam expostos objetos destinados a venda.&lt;br /&gt;Todos os dias, passamos correndo pelas ruas. Eventualmente uma mercadoria exposta em uma vitrine nos faz parar, ou por sua beleza, ou por seu mal gosto. Olhamos, analisamos o produto... Quando a atração é positiva, pesquisamos qualidade e preço. Enfim, se nos agrada, compramos com o dinheiro que conseguimos vendendo nosso tempo.&lt;br /&gt;Tirando todos os aspectos negativos que envolvem a relação de compra e venda, assim como o consumismo exacerbado que atinge nossa sociedade, penso que pensamentos e idéias expostos são como uma vitrine de mercadorias. Algumas idéias ou opiniões nos atraem o suficiente para pararmos. Igualmente, algumas por sua beleza, outras pelo seu mal gosto. Analisamos as idéias, buscamos outras opiniões que as refutam, comparamos esses pensamentos de acordo com seus argumentos. Ao final, a idéia que nos agradou, que nos convenceu a tomar uma posição sobre algum assunto, é aquela que compraremos. Não com dinheiro, não com objetos materiais. Compramos idéias com maturidade. Quanto mais maturidade se tem, de maior qualidade serão as idéias compradas. Eventualmente, enquanto vamos ganhando maturidade por nossas vidas, percebemos que algumas idéias que compramos antigamente não nos servem mais. Não concordamos mais com elas. Isso é evolução. É jogar fora a antiga máquina de escrever e comprar o novo computador. É ter consciência que suas opiniões serão constantemente renovadas, e que isso não se trata de não ter um ideal forte e definido, e sim de sempre estar aberto para receber novas oportunidades de pensamento. É fazer a mente fluir. É não estagnar.&lt;br /&gt;Importante lembrar, também, que a melhor idéia será aquela que, não sendo comprada, foi feita por você. Como um produto feito à mão, pra ninguém mais que você. Até mesmo um produto comprado em loja, se modificado por suas mãos, será específico e especial. Portanto, mesmo se houver idéias que lhe agradem, não deixe de pensar sobre como ela poderia ser melhor, não deixe de modificá-la. O objetivo é conseguir maturidade suficiente para não comprar mais, e sim fazer.&lt;br /&gt;E, se conseguir, não deixe de expor suas idéias.&lt;br /&gt;Transforme-se em vitrine, e expresse-se com as palavras, olhar ou gestos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2610421319406238291-2296584123168382406?l=salemzamenaph.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/feeds/2296584123168382406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2610421319406238291&amp;postID=2296584123168382406' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/2296584123168382406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2610421319406238291/posts/default/2296584123168382406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salemzamenaph.blogspot.com/2007/06/por-que-vitrina.html' title='POR QUE VITRINA???'/><author><name>Salem Zamenaph</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12403726199944483687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry></feed>
